Imagens e poemas encontradas na Net
Para Isaura em Amizade
Quiaios - 21 de Julho de 2008
Minha Terra é outra, lá longe,
Onde, serra acima, ovelhas e neve
bordam tudo de brancura...
Onde Deus, sem mar, imaginou
Mastros e Caravelas
E onde pedras e estrelas
Dormem à mesma altura.
(Vilela, Nelson, in Sempre em Caminho,1988)
POEMA DO MAR E DA SERRA
Ó mar de que não sei nada
Nem vejo que desvendar,
És só a mais larga estrada
Para ir e voltar!
Eu sou lá dos montes
Que medem o céu,
Sou das frias serras onde primeiro o Sol nasceu
E onde os rios ainda são apenas fontes.
Sou de onde as árvores falam
A língua que eu conheço,
Onde de mim sei tudo
E do resto me esqueço.
Lá, tenho olhar de estrelas a luzir
E tenho voz de guardador de rebanhos,
Passos de quem só desce pra subir,
Mãos sem perdas nem ganhos.
Contigo falo, ó mar,
Se a Lua vem do céu passear no mundo,
Tornando-te a planície do luar
Sem ecos nem mistérios de profundo.
Mas só lá sou da terra e a terra é minha,
Só lá eu sou do céu e o céu é para mim,
Ó serra aonde há tal serenidade
Que nada tem começo
Nem fim.
Branquinho da Fonseca
Vamos àquele monte, lá longe? Vamos! E lá íamos, caminho acima, e depois era o êxtase, o silêncio, que há coisas que não precisam de se dizer. Aprendi-lhes alguns segredos, à serra, às estrelas, e ao mar que apenas pressentia.
Anos mais tarde continuei a acompanhar meu pai, serra acima, quando a sirene tocava, e quando os fogos começaram a tomar conta destas paragens. Ajudávamos como podíamos: na retaguarda, ramos nas mãos, a fustigar a dor, a confirmar que ali mais nada poderia arder. Éramos muitos desconhecidos, unidos por um só propósito, e muitas vezes tivemos de sair dali a correr. Muitas vezes sentimos o calor assustador do fogo, vimo-lo tomar de assalto a estrada que nos conduzira.
Ficou-me esse desvario quando ouço uma sirene: um apelo forte, um desejo contido de seguir em frente, rumo ao fogo. Contenho-me. Os tempos, agora, são outros. Vejo agora o mar que dantes apenas vislumbrava. E é um mar imenso como só este pode ser, porque só este tem a serra a cair-lhe aos pés.
Sebastião da Gama
1 comentário:
ola Isaura,
gostei imenso de matar saudades la da nossa serra ao ver as bonitas fotografias e ao ler alguns dos poemas que introduziste no teu blog.
um grande abraco e beijinho,
Jan
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