segunda-feira, 21 de julho de 2008

Algumas impressões sobre a Serra

Algumas impressões sobre a Serra
Imagens e poemas encontradas na Net


Para Isaura em Amizade

Quiaios - 21 de Julho de 2008




Minha Terra é outra, lá longe,
Onde, serra acima, ovelhas e neve
bordam tudo de brancura...
Onde Deus, sem mar, imaginou
Mastros e Caravelas
E onde pedras e estrelas
Dormem à mesma altura.


(Vilela, Nelson, in Sempre em Caminho,1988)







A Barragem de Sta Luzia









POEMA DO MAR E DA SERRA

Ó mar de que não sei nada
Nem vejo que desvendar,
És só a mais larga estrada
Para ir e voltar!

Eu sou lá dos montes
Que medem o céu,
Sou das frias serras onde primeiro o Sol nasceu
E onde os rios ainda são apenas fontes.

Sou de onde as árvores falam
A língua que eu conheço,
Onde de mim sei tudo
E do resto me esqueço.

Lá, tenho olhar de estrelas a luzir
E tenho voz de guardador de rebanhos,
Passos de quem só desce pra subir,
Mãos sem perdas nem ganhos.

Contigo falo, ó mar,
Se a Lua vem do céu passear no mundo,
Tornando-te a planície do luar
Sem ecos nem mistérios de profundo.

Mas só lá sou da terra e a terra é minha,
Só lá eu sou do céu e o céu é para mim,
Ó serra aonde há tal serenidade
Que nada tem começo
Nem fim.

Branquinho da Fonseca


































O agoiro do bufo, nos penhascos,
foi o sinal da Paz.
O silêncio baixou do Céu,
mesclou as cores todas o negrume,
o folhado calou o seu perfume,
a serra adormeceu.
Depois, apenas uma linha escura
e a nódoa branca de uma fonte amiga;
a fazer-me sedento, de a ouvir,
a água, num murmúrio de cantiga,
ajuda a Serra a dormir.
O murmúrio é a alma de um Poeta que se finou
e anda agora à procura, pela Serra,
da verdade dos sonhos que na Terra
nunca alcançou.
E outros murmúrios de água escuto, mais além:
os Poetas embalam sua Mãe,
que um dia os embalou.
Na noite calma,
a poesia da Serra adormecida
vem recolher-se em mim.
E o combate magnífico da Cor,
que eu vi de dia;
e o casamento do cheiro a maresia
com o perfume agreste do alecrim;
e os gritos mudos das rochas sequiosas que o Sol castiga
- passam a dar-se em mim.
E todo eu me alevanto e todo eu ardo.
Chego a julgar a Arrábida por Mãe,
quando não serei mais que seu bastardo.
A minha alma sente-se beijada
pela poalha da hora do Sol-pôr;
sente-se a vida das seivas e a alegria
que faz cantar as ave na quebrada;
e a solidão augusta que me fala
pela mata cerrada,
aonde o ar no peito se me cala,
desceu da Serra e concentrou-se em mim.
E eu pressinto que a Noite, nesse instante,
se vai ajoelhar...


Ai não te cales, água murmurante!
Ai não te cales, voz do Poeta errante!,
- se a Serra pode despertar.

SEBASTIÃO DA GAMA

in Serra-Mãe


Dava longos passeios em pequena, com meu pai. Não pelas serras que o poeta canta, que essas são transmontanas, mas por outras vizinhas que bem podiam ser elas.

Vamos àquele monte, lá longe? Vamos! E lá íamos, caminho acima, e depois era o êxtase, o silêncio, que há coisas que não precisam de se dizer. Aprendi-lhes alguns segredos, à serra, às estrelas, e ao mar que apenas pressentia.

Anos mais tarde continuei a acompanhar meu pai, serra acima, quando a sirene tocava, e quando os fogos começaram a tomar conta destas paragens. Ajudávamos como podíamos: na retaguarda, ramos nas mãos, a fustigar a dor, a confirmar que ali mais nada poderia arder. Éramos muitos desconhecidos, unidos por um só propósito, e muitas vezes tivemos de sair dali a correr. Muitas vezes sentimos o calor assustador do fogo, vimo-lo tomar de assalto a estrada que nos conduzira.

Ficou-me esse desvario quando ouço uma sirene: um apelo forte, um desejo contido de seguir em frente, rumo ao fogo. Contenho-me. Os tempos, agora, são outros. Vejo agora o mar que dantes apenas vislumbrava. E é um mar imenso como só este pode ser, porque só este tem a serra a cair-lhe aos pés.


Sebastião da Gama





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1 comentário:

cripton disse...

ola Isaura,

gostei imenso de matar saudades la da nossa serra ao ver as bonitas fotografias e ao ler alguns dos poemas que introduziste no teu blog.

um grande abraco e beijinho,

Jan

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